Caso Clínico: Vazio no peito

03 maio 2014 |

Cheguei àquele momento na vida - aquele dos vinte e poucos que tantos leram -, em que fazemos as reflexões, olhamos para trás e tentamos descobrir onde erramos. Não para não errar de novo, mas para arranjar um jeito de reparar isso porque sabemos que, provavelmente, aquela oportunidade não baterá duas vezes na nossa porta. 
Então vamos analisar o quadro da nossa paciente: Fulana de Tal, 21 anos, feminina, estudante de medicina. Se diz bem satisfeita com sua vida acadêmica, social, profissional e financeira. Queixa principal: um vazio no peito [sic]. Em sua história mórbida atual - onde exploramos a queixa da paciente -, a paciente relata que esse vazio no peito que tende a incomodar sempre, mas que em alguns momentos se torna mais forte. O que acaba a impedindo de realizar atividades de rotina. De uns tempos para cá, a paciente também notou que atividades que tendiam a melhorar o vazio, como baladas e conversas com amigas, não estão sendo mais efetivas. Já tentou afogar o vazio no álcool, já tentou afogar o vazio em uma panela de brigadeiro e até mesmo no próprio vazio. E nada adianta mais. 
Ela também notou que o vazio começou a vir acompanhado de uma dor aguda precordial - no peito -, que piorava quando percebeu que tudo aquilo, provavelmente, era culpa dela. 
Em suas  condições de hábitos de vida, a paciente relata ter dificuldades para dormir, para manter uma conversa durante mais de dez minutos com algum desconhecido, para facilitar a própria vida, para falar o que pensa e para querer o melhor para si. 
Na revisão de sistemas: relata lacrimejamento excessivo ao assistir a maioria das séries e  falta de borboletas no estômago.

E então, doutores, o que podemos fazer por essa paciente? 



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